quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ao som de Coltrane

  Sentada de frente pra janela do meu apartamento, observo desatentamente a Grande São Paulo, com sua poluição típica que particularmente gosto. Acendo um cigarro, aproveito e observo meu quarto, tão bagunçado quanto o vai e vem de pessoas lá embaixo.
  Um trago, e deixo a fumaça sair, por um momento lembro-me da lagarta do livro Alice, - Quem és tu ? - na verdade não sei bem minha definição, meu eu é assim como meu quarto, bagunçado. No meu mp3 começa a tocar John Coltrane, meu quarto escuro, caótico, a cidade com seu cinza de mais um dia nublado, essa minha tarde é um quadro de um balada de jazz bem melancólica, sem esquecer meus cigarros claro.
  E perdida em minha mente, a questionar diversas tolices, me pergunto como seria se jogar daqui, sentiriam minha falta? Ao menos faria um bem para quem passa lá embaixo, parariam para me socorrer, o trânsito talvez pararia, e eles se desligariam por um momento do sistema. Me despeço dessa maluquice com um gole de café, meu cigarro acabou, observo mais uma vez as pessoas, vejo uma moça negra, simples, carregando diversas sacolas, um rapaz de terno , aprumadíssimo, andando rapidamente esbarra nela e a derruba, ele nem se vira e se perde na multidão, uma senhora de idade, se aproxima e a ajuda, como o mundo é imensamente irônico, não?
  Tomo mais um gole do café, e divago em minhas aventuras amorosas cada caso de amor para mim , é um acaso para eles, amores deixados de lado, supostamente esquecidos, amores que vem e que vão mas nunca em vão, teve um que me levou a cor da vida, e me deixou como num dia nublado, me deixou na janela e com o quarto bagunçado e me trouxe de volta o jazz de Coltrane e o meu café quente e amargo. Mas não preciso de mais um caso, preciso mesmo é acender outro cigarro.



sábado, 16 de outubro de 2010

Esperando você

Você, um mundo inteiro criado por mim para você. Um, talvez alguns olhares e total rendição. E meu coração se angustia com a idéia de não te ver mais, de você ter um alguém que não sou eu; a minha imaginação oscila em como vou te encontrar, penso no que te falar quando te ver. Penso demais, imagino demais, expectativas tão grandes para um momento tão rápido. Acho que nunca quis alguém assim, é tão novo, fascinante e eufórico, que às vezes perco o chão e acho que tudo é bobeira, eis minha razão gritando por espaço nessa pequena explosão emocional. Continuo a imaginar você aqui, não é amor à primeira vista, coisa que não acredito, é simplesmente o anseio por viver o amor.E de repente me vejo a contar dias, horas,  minuto, e segundos. E nesse querer, sem querer te falar, eu espero o dia em que de novo eu possa te olhar.